Mãe, porque choras?
- Estou comovida filho!
- Mãe, o que é estar comovida?
- É sentir-se saudades, é estar-se feliz, é sentir a dor de outros em Nós, é sentir vontade de chorar, sem saber porquê...
- Mãe, não chores!
Mas eu não consigo parar. Não consigo. As lágrimas fogem-me, escorrem, os soluços sobrepõem-se, não consigo parar...
Achei que já tinha feito os quilómetros suficientes e sai em Torres Novas. Vi a seta de Minde... Minde reconheço... Não foi dificil reconhecer os locais por onde tinha passado a pé. Os peregrinos, dezenas deles, transportavam-me lá, a subida... O quase desistir... Os pinhais, mais subidas... Não consegui conter desde aí, as lágrimas. A emoção de voltar aquele local, por aquele caminho. Sózinha com o meu filho. Foi a primeira vez, que o meu filho foi a Fátima. E eu não me recordo da última vez que lá tinha estado, nem com quem. Sei que fui lá várias vezes, com o meu ex-marido. Mas, não me recordo de lá ter ido, com o pai do meu filho.
Não estava muita gente, se é que é possível estar pouca gente em Fátima, mas cabia muito mais gente. O Besnico, não entendeu, porque é que eu não parava de chorar, nem porque é que as pessoas, andavam de joelhos e de meias... E, acho mesmo que até ontem, eu não entendia. Nunca lá tinha estado com o meu filho... E de repente, tudo parecia lógico. Nada me parecia impossível de fazer por ele. Pode ser ridiculo... Mas ridiculo mesmo, é ter-se medo de o ser...
O Adeus... o Adeus é algo de perfeitamente emocionante. E se na televisão, choro, ao vivo... Não consigo cantar. Não consigo entoar, não consigo sequer acenar... Só consigo chorar, chorar, chorar copiosamente.
O Besnico, não achou foi graça nenhuma.
Quando lhe expliquei que Nossa Sra. tinha vindo conversar em cima de uma árvore, com três meninos, que pastoreavam ovelhas, perguntou: -Mãe isso é a fingir ou a sério?
- Filho, a mãe acredita, que é a sério. Eu e todas as pessoas que aqui estão. Mas, existem muitas pessoas, que não acreditam. Eu não vi. Como não vi, muitas coisas que me contam e em que eu acredito. Um dia, quando fores grande, é que vais decidir se acreditas ou não.
- Mãe e como é que tu sabes?
- O meu pai e a minha mãe, contaram-me e eu continuou a acreditar. Se calhar é por isso que choro tanto... Tenho saudades de ter mais Fé!
Não me lembro de ter chorado tanto. E de me sentir tão limpa, por isso!
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