quarta-feira, abril 11, 2007

Besnico's Blogue...

Várias foram as vezes, que me descabelei por aqui...

Dias houve, em que coloquei em causa, o facto de desde miuda, querer ser mãe! Achei mesmo, que não entendia de facto.

As crianças e eu, sempre tivemos relações diferentes. Por principio, não lhes dou importância... Deixo-as no seu canto e a pouco e pouco, então... lá nos aproximamos ou não. E com cada uma, mantenho a relação, dela e com ela. Não acho nada, que tenham de ser o centro... e não gosto, que se sintam assim...

Apenas, porque simplesmente as olho, como seres humanos iguais... Mais pequenos, mas iguais...

Cheguei mesmo a dizer ao meu filho, que não sabia, porque tinha sido mãe. Que achava que ser mãe, era muito engraçado, porque se podia brincar muito. Mas, que ele só embirrava e que andavamos sempre à guerra e que a nossa relação era uma seca.

Um dia em desespero de causa, exagerei na dose... Disse-lhe, que não aguentava mais e que tinha de o deixar uns tempos, com alguém, porque eu estava de facto a enlouquecer... Ele conseguia embirrar todo o tempo, com tudo e com nada. Nada o fazia de facto feliz, esticava a corda, ao ponto de eu desesperar, por completo.

Do lado de fora, existem, os meus pais, que acham, que eu exagero. Alguns amigos, que acham, que sou seca e fria e distante... com ele. Que, não lhe dou o desconto.

Em consciência; acho que não.
Talvez até parecesse, fruto dos pontos, que eles observavam, reduzidos a trinta minutos, ou 3 ou 4 horas... Mas, não era, tendo em atenção as 24, sobre 24 horas, de conhecimento comum...

Em teparia semanal... desde os 3 anos e picos... O feitio assumiu proporções muito complicadas... Não estava em causa, o Amor... inerente ao facto de ser Mãe... Mas, em causa estava de facto a coexistência... A pseudo presença de um pai, de 15 em 15 dias... A falta, de facto do pai. A ida do pai para África. O meu namoro, com aproximação e afastamento... tudo num periodo curto, não facilitou, eu sei. A operação da mãe, o seu aniversário, sem pai, a nova vinda e nova ida do pai... Nada ajudava...

Depois, veio a questão de vai, ou não vai para o 1ºciclo. Fica ou não fica, no pré...

No entretanto, a educadora, foi ter criança... Ficou outra! Que já lá estava desde Setembro...

A minha relação, com a educadora nunca foi fácil. Aliás ela chegou a dizer-me, que eu não gostava dela... E de facto, não gostava. Mas, o meu filho, nunca deixou de querer ir para a escola... Sempre foi claro, que ele preferia a auxiliar à educadora...

Ficou a substituta... comecei a pouco e pouco a entender que o meu filho a adorava... de facto! Que tudo fazia, para lhe agradar, que se aplicava mais. Que se esforçava mais, que gostava de facto e de modo consistente; dela...

Um dia, fui buscá-lo mais cedo;
Falávamos dele e da sua amiga inseparável, desde os 4 meses... São inseparáveis, dizia ela... ( A outra separava-os, em tudo; nas actividades, na mesa, nas brincadeiras, até quando dormiam, não o podiam fazer lado a lado, em camas separadas, óbviamente) e acendeu-se uma luz... A conversa continuou... "No inicio do ano, andavam sempre à guerra... mas agora já não..." E o clarão foi óbvio!

Deixaram de os separar, eles deixaram de andar tensos. Ela deixou de chorar, de se isolar, de se "agarrar" a ele, como o seu porto seguro... Ele... embirra menos, muto menos. Anda, muito menos tenso, mais gozão, mais descontraído, mais ele... Exagerado! Mas, ele. Fisico, mas já não sempre em guerra, agressivo, como se estivesse, sempre à defesa, atacando...

Verdade, que ao fim de 2 anos completos de terapia semanal... se esperava resultados. Verdade, também, que o pai já foi há 2 meses (desta última vez)... e ele vai-se habituando à ideia, de que não vem tão cedo... Verdade, que está mais maduro...

Mas, na minha opinião, tudo isto é fruto, da liberdade...

Verdade, que eu não tenho um feitio fácil. Verdade, que ele também não. Verdade, que não o posso deixar passar a linha... Porque se o deixo passar determinado limite... é mau para ele, como criança e como ser humano e para mim! Verdade, que a educadora (residente) e eu, talvez sejamos demasiado parecidas... e por isso nos chocávamos... Mas, a verdade é que com esta (a substituta); A maternidade, assumiu outros contornos... Muito mais agradáveis. E eu consigo sentir-me, muito mais Feliz, comigo e com ele!

5 comentários:

Anónimo disse...

Desde sempre disse que não seria mãe, só se adoptasse. Esse era o meu sonho, ter uma casa cheia de adoptados. Porque adoro crianças, adooooro mesmo. O meu (saíu-me o tiro pela colatra looooool) e os dos outros, conhecidos e não conhecidos. É criança, eu gosto e ponto final. Mas também perco a paciência, nem acho normal não perder....
Apesar de nada do que escreveste ser novidade para mim, chocou-me, muito. Chocou-me a frontalidade com que o disseste, brutal.
Mas acho que NUNCA li nada teu, tão bem analisado, tão verdadeiro e tão emocionante. E crescer, amadurecer e aprender a amar é isto mesmo. Aqui não estás confusa, não divagas.
Eu sei que as crianças precisam de limites... mas nós também! E o teu filho precisa de muito mimo, imenso mimo, como todos. É isso que os faz crescer seguros, não tenho a mais pequena dúvida sobre o assunto.
Fico muito feliz por ti e pelo meu pimpce. Os dois a crescer e muito felizes, nada dá mais prazer.
Um beijo enorme para os dois
Euzinha

Anónimo disse...

Percebi agora (finalmente)....

A boa disposição do teu besnico.

Fico feliz.... por ele
... e por ti! ;)

Bjs
Cátia

PARTILHAS disse...

Querida,
Não divago, poquer acho, que descobri o problema... E afinal, o problema essencial, estava onde eu não esperava que estivesse...

Beijos...
Aquele abraço forte!
:-)

Cátia Meu Amor,
Tu bem que sentiste... Tiveste direito a um desenho só para ti e tudo...
:-)
Beijos Princesa...

Camaleão Vaidoso disse...

As crianças trazem ao de cima o melhor e o pior de nós. Afinal de contas em tanta coisa são o reflexo de nós.
Toda a minha vida quis ter filhos, desde criança que sabia que queria agarrar esse desafio. Confesso que afinal não é tão simples como pensava.
Há dias em que desespero com os meus de uma forma que em mim me doi cruelmente. Tenho dificuldade em geri-los e educá-los dando-lhes espaço são para serem quem são sem deixar de marcar os limites.
O meu filho é hipercativo e para ajudar, tem vários problemas de integração tal é o seu desejo de ser aceite. Há dias em que me rasga ver o seu sofrimento que nem kilos de mimo compensam.
Também faz terapia...(afinal a nossa vida é ainda mais um corropio de coincidências) e está bastente melhor com a medicação. Mas, não há dia que passe sem que o medo de não cumprir a minha luta, de não lhe conseguir transmitir paz, me faz querer ser uma pessoa melhor. E graça a eles, tantas vezes sou.
Força amiga e fico feliz por essa paz te estar a seguir.
Beijo

PARTILHAS disse...

Olá...

Sabes, que depois de publicar o texto, fiquei a pensar nisso...

Em que medida é que ele está mais ele... ou mais eu...

As nossas mães, quer seja a nossa ou a de alguém próximo... sempre nos disseram, que não era fácil... E que quando fosse, com os nossos dariamos valor...

Não sei se dou mais valor...
Mas que dou mais forma a esse valor... dou! E ainda, a procissão vai no adro (como diz a minha mãe!)

Beijos Grandes


Bom fim de semana