quarta-feira, março 07, 2007

O funeral...

Foi hoje o dia da despedida do corpo...
Acho que a ultima vez que fui a um funeral, foi o do meu teu Luis... o ultimo dos irmãos do meu avô a falecer... 4 dias antes do Besnico nascer...
Tudo fez parte de um ciclo... Achei, que a vida se renovava.

Hoje, a cerimónia previa-se mais dolorosa e foi...
Uma Amiga conseguiu cantar e tocar viola, proporcionando-nos a todos uma cerimónia... profundamente comovente.

A minha filhota, mantêm-se estupidamente calma... Eu sentia-me descompensada e ao olhá-la...

A mãe... a mãe, que perdeu um filho, sofria uma dor já tantas vezes partilhada neste blogue de uma mãe em luto...

Não queria ir. Os velórios consigo passar, com alguma facilidade, mas os funerais arrasam-me.
Mas de amigos, eramos poucos... os amigos dela... que ele imensos que estavam lá e que não cheguei a conhecer... e fui...

Fiquei com a sensação, que amanhã, já não vou chorar... Com vontade de voltar à vida, de voltar a maquilhar-me de manhã...

Elas...
Elas, não vão conseguir fazê-lo com a mesma facilidade...

Um funeral, obriga-me sempre a olhar o céu... que ajudou - limpo e azul... Recuso-me a acreditar, que nós somos apenas aquilo... uma massa, dentro de uma caixa... Não somos. Recuso-me a acreditar nisso... Ou se fossemos, seriamos apenas gestores de matéria e não de emoções...

Gostava de ser cremada. Ou que o meu corpo, depois de eu o deixar, fosse para um qualquer hospital, para que os futuros médicos, pudessem utilizar alguma coisa dele... Quanto mais não fosse, uma lição de anatomia... Gostava de sentir, que depois de morrer, fica mais do que uma massa... Gostava de sentir, que não deixo ninguém, com a sensação de poder ter dito, ou feito...

Depois, olho para as pessoas, que hoje estavam a despedir-se dele... e olho para estes meus pensamentos e penso... Se ele não está aqui... que fazemos nós aqui...? Porque estamos nós aqui...? Será que eu gostava de ter os meus amigos, no meu funeral?

Gostava de ser cremada já disse... Mas gostava que as pessoas fossem vestidas de todas as cores, que não o preto... Não, que não goste do preto... Mas, não em funerais....

O Senhor Padre, dizia, que todos nós de uma forma ou de outra, gostavamos que as nossas palavras, ficassem gravadas para sempre... E eu pensei... Se a internet não cabar e se o servidor, onde ficam arrumadinhas as minhas palavras... feitas da partilhas.... ficam... depois de mim... ou nos outros, através de mim...

Mais do que as palavras, o que deixamos depois da nossa existência são os actos...

Ainda assim e voltando ao funeral, gostava que em vez de um livro de condolências, existisse um livro em branco, em que cada um deixasse uma foto, na minha companhia, um poema, uma história... uma memória... um carinho... Uma mão, pintada...

Gostava que depois da minha existência, as pessoas se reunissem no dia do meu aniversário... fazendo-me viva... festejando o que viveram comigo...

Ele não ficou ali... Cabe-nos a nós mantê-lo Vivo!