Espelhos de mim
O tema de ontem era a religião e a morte. Como falamos às crianças da morte? Paralelamente, falou-se também da sexualidade. Dois temas tabu, de que não se fala.
Mas, afinal se falavamos deles, era porque não são tabu… O problema, é que são temas, com que a intimidade familiar, não tem de lidar diariamente.
O sexo, entre personagens de uma novela, não é o nosso. Nem faz parte da nossa intimidade. Falamos dos filhos dos outros, do trabalho dos outros, mas não do sexo dos outros (pelo menos à frente dos nossos filhos…). Falamos das 200 mil pessoas que morreram vitimas de um marmoto, ou da morte do vizinho, mas choramos apenas e copiosamente os nossos mortos. A dor.
Se os filhos, não falarem de sexo, a que propósito é que os pais vão falar? Livros? Sim ou não? Como? Em que idade?
Morte?
Que significa? Quando ocorre? Como se explica? O que é?
A ideia que retive - e que confesso nunca tinha pensado nisso - é que a morte se aprende, com todas as pequenas percas da vida. Uma mudança de casa ou de escola, a zanga com um amigo, ou uma discussão com os pais, é um estado de ansiedade, de uma falta, ou de alguma insegurança, que nos fortalece. E a pouco e pouco, aprendemos a entender a perda, como uma fortificação. Nunca tinha visto a morte, ou a fortificação assim.
Ao perder um ente querido a familia, valoriza-se mais. À partida as relações estreitam-se. Apercebemo-nos então como as outras pessoas que cá ficam, nos são queridas, preciosas e necessárias. As crianças só têm a aprender com isso. Claro, que a idade e sensibilidade de cada um, “ajusta” toda a teoria a uma prática.
Mas afinal, nada é imediato.
Reli a minha birra de ontem e senti-me consumista, depois da reunião de ontem. Nada é imediato, nem fácil, mas eu insisto bastante na tecla do Agora, Já, neste momento. Nunca gostei do discurso de “amanhã vais dar valor” como se tudo se vivesse no amanhã e não no hoje… mas a verdade, é que ao exijir ao meu filho a perfeição aos 3 anos, estou a ser demasiado imediatista. Afinal, tudo se constrói e demora tempo…
Uma barraca erguesse numa noite. Um monumento pode levar décadas a ser construído…
Mais um dia, nova aprendizagem. Espero não me esquecer, amanhã.
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