segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Dia da incógnita

Não sei se me sinto burra, se ingénua, se "boa pessoa", se otária, se cegueta ou se infantil, imatura. Qualquer um destes adjectivos, pode ser positivo ou negativo, conforme o lado por onde se observa e aquele (outro), por onde se sente.

A semana passada foste constante no meu pensamento, nas minhas conversas de subconsciente, enfim, até de sonhos... E cá estás tu a fazeres-te presente, com ou sem intensão. Que merda.

Percebo agora, que passou um ano, com tantos dias como os outros. Se o olhar de um lado; não consigo perceber, como é que passou tão rápido, como é que se esgueirou por entre as minhas horas, sem eu dar por ele. Como é que eu o deixei fugir, tão rapidamente; afinal como é que eu vivi este ano que passou? Não consigo analisá-lo. Acho que não o vivi, mudei de luto. Procurei vivê-lo, mas acho que não consegui.

No entanto se olhar de outro lado, demorou tanto tempo, foi tão penosamente longo, esticado, dorido, pegajoso. Enlutei-me novamente. Como se estes ultimos anos, fossem os anos de todos os lutos que ignorei e de algum modo recusei fazer, continuando, na mesma linha, em vez de mudar de estação.

Sinto que já não tenho a elasticidade que tinha. Tudo dói mais tempo. É como se tivesse menos defesas em vez de me calejar. Sinto-me a fechar, sobre o meu próprio umbigo, tipo bicho de conta, na esperança de finalmente rolar, para fora deste ringue de vida que me cansa, que me explora, que me mói, me tritura e a pouco e pouco me vai destruindo.

Pus tudo na Rua, para arejar e arrumar a casa e agora, já arrumei o mais importante e não quero mais nada... E não consigo disfarçar o desconforto, que me provoca, não saber, o que fazer, com o que não me interessa. Com o que não quero, com o que preferia, não saber... Mas, não há ecopontos, para as emoções desgastadas e eu não estou a conseguir reciclá-las. Perdi a força, a energia, sinto-me a não comandar o barco, a não liderar a minha vida o meu processo, a minha escolha, estou cansada e a precisar de férias. Na esperança, que o tempo; tudo fizesse sózinho... Mas ele, anda mais calão que eu... E em vez de levar... trás, hoje e ontem e no outro dia. E tenho a minha praia cheia, do que já não deveria lá estar.

Parece que agora me dói, novamente. Mas, já não sinto Paz e ando à procura dela em mim, mas ela foge, esconde-se. E ando eu aos gritos atrás dela."Anda cá já!"... Mas, ela não vem. Não me liga pêvas.