Quando tinha 15 anos, gostava de ir para a praia sozinha, de manhã, pela fresca. Ia de camioneta bem cedo e tipo 8 da manhã, já lá estava… para desgosto dos surfistas, que estavam habituados a ter a praia só para eles aquela hora.
Forçava-me a ir ao cinema sozinha.
Gostava de me passear pelas ruas da cidade, sozinha.
Mas, nunca gostei de comer sozinha.
A mesa, é o meu espaço de convívio favorito.
Sempre tive medo de ficar dependente, de ficar “atada”, de me sentir presa… de não me bastar na minha própria companhia.
- Em última análise, um dia posso sempre ficar sozinha. Sem família. Sem Amigos. Velha.
É algo que me incomoda, sempre me incomodou… a velhice solitária.
Fruto da separação do pai do meu filho e claro, face à existência do segundo, são imensas as horas, que fico sozinha. Comigo, com um livro, uma música ou um CD. Ao princípio, a sensação de liberdade, de poder, de autonomia, de raiva, de desapontamento e de outras, que provavelmente agora esqueço, são suficientes…
Recolho-me sobre mim mesma e preciso de mim. Fico com saudades minhas. De me curtir, sozinha, comigo, eu e eu.
Sem esperar apaixonei-me novamente, por uma “cena marada” (desculpem a terminologia, mas é como me apetece…) e não saí do luto contínuo.
O ano passado, apesar de trabalhar em Agosto, fiquei por casa. Não saí. Não procurei sair, nem ver ninguém… e o mês foi pesado… Fugi, de mim, ou dos outros, não exactamente...
Mas, estes 15 dias têm sido fantásticos… Intercalo os meus dias, entre Amigos, trabalho e claro está, as visitas frequentes ao meu filho e já vamos a 11 e para a semana estou de férias e este Agosto, está a cheirar a algo diferente. Durmo pouco, mas ando contente e feliz… comigo, cá dentro, mas através daqueles, com quem tenho estado.
A liberdade e a solidão… podem andar a par…
Obrigada
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