quinta-feira, outubro 06, 2005

Oi,

Gostava de conseguir escrever, em linha recta. Mas, tenho as mãos com diferentes direcções. As linhas que nelas estão desenhadas, cruzam-se e vão-se intensificando, com os anos, as lágrimas e os sorrisos, as Partilhas.

O indicador, gosta de desenhar na areia da praia letras e corações...

Lembro-me quando desenhava nas calças de ganga, corações cheios de X+Y, e mais tarde X+Z. Sorrio, quando recordo, os ralhetes, que recebia de toda a gente ao carregar todas as carteiras da minha sala, com o nome daquele rapaz simpático, que vivia na minha Rua e me sorria. Tinha um sorriso lindo. Os olhos grandes, escuros. Dizia-me Olá, sabendo, que os meus joelhos tremiam, mas fazia-o de um modo tão doce, que o recordo, sempre de sorriso e coração em paz.

A minha mãe receava, que algum mal, dali viesse, mas dali... só vinha mal, para ele. Não para mim!

Escondia os meus olhos atrás de uma franja, que me ajudava a enconder, o seu brilho. E hoje, não gosto de ter o cabelo, no rosto, sob o perigo de não ver os sorrisos dos outros...

Disfarçava os 10 kilos, que então tinha a mais, com as camisas do meu pai e o casaco sempre atado à cintura e falava sempre de modo agressivo, para me defender, dos ataques, de que o meu peso era alvo...

A pouco e pouco, fui perdendo o medo de ser desamada. Emagreci, passei a ostentar o meu sorriso e a defender o que quer que fosse em que eu acreditava.

Contigo, fechei um dos ciclos mais importantes da minha vida. Quando conversámos, sobre o modo como eu gostava de ti, era apaixonada por ti, mas jamais me insinuaria... algo que tu nunca entendeste... A amizade é um valor superior, que se deve manter e valorizar. Nunca mais, falámos sobre esse assunto e acho que hoje, voltaria a corar se o fizesse... Mas, não me arrependo, de nos ter respeitado!

No entanto, a partir dai, passei a insinuar-me a quem quero. A ser directa, por vezes, até... exageradamente directa... Mas, apesar de uns trambolhões... nunca me magoei tanto, como esperava. Na altura pode até doer. A dor, pode parecer insuportável... mas, não tão insuportável, que me tenha feito mudar de opção... Falar! De preferência a verdade... Arriscando! Arriscando a adrenalina da verdade...

Há pessoas, que nos deixam memórias Boas, felizes. Mas, com a plena noção de circulo fechado... Porque um circulo é sempre fechado a dois, a três, ou a mais, consoante os envolvidos.
Outras há, que não. Que ainda não conseguem ajudar-nos a fechar o circulo, que as inclui. Outras pessoas, somos nós... que não deixamos que encerrem o nosso circulo.

E assim, andamos aqui. A desenhar circulos... Uns que fechamos, outros, que nem por isso... E enquanto os nossos circulos envolverem outras pessoas, que não nós. É sinal de que estamos vivos!