quarta-feira, novembro 29, 2006

Ainda a morte

Não sei se é possível fazermos alguma preparação...
Se ela existe ou não...

Nos últimos dois dias, ele está mais cansado. Anda muito devagar. Parece que tem medo de tudo. Dorme sonos estúpidamente profundos.

Tenho medo, que não resista a mais um fim de semana e ao mesmo tempo, não sei se o devo sujeitar ao sofrimento...

É tão mais fácil falar dos outros... Opinar, sobre os outros...

Acho que o tumor que me retiraram era um saco de lágrimas... Lágrimas podres e mal cheirosas de tudo o que não tenho chorado, ao longo da minha vida...

Não sei se é ou não coincidência, mas depois da cirurgia, estou mais chorona. Qualquer emoção, por menor que seja, me desfaz em lágrimas... E a ideia de perder o meu companheiro fiel... deixa-me... chorona...

Foi ele o meu companheiro certo e por opção minha, nos últimos 11 anos. Foi ele um dos elemrntos certos na minha vida. Custa-me perder a referência... E ao mesmo tempo, penso, porque é que faço de um animal, uma referência...? Talvez porque foi ele que me apresentou uma das mulheres da minha vida, porque me foi oferecido por o primeiro homem que Amei, porque com ele aprendi a dedicar-me a um ser vivo, com muito carinho... e assumir a responsabilidade da dependência...

Ai meu cão, sinto-te já tanta falta e ainda estás cá...