É no carro, quando estou sózinha, que mais choro.
Quando há 11 anos, tive de abater o meu primeiro cão (tinha 4 anos, estava comigo há 11 meses -demasiados 11-e era tão mau, que começou a colocar em perigo a nossa integridade fisica, a minha e a do meu ex-marido), lembro-me que assim que entrava no carro me desmanchava a chorar convulsivamente... nessa altura, fiquei com um complexo de culpa brutal... Para mim, eu não tinha conseguido lidar com a situação, como ela exigia...
Eventualmente, se lhe tivesse dado calmantes, ou tivesse consultado outro veerinário, ou, ou, ou...
Outras vezes, apenas porque sim... é ao volante do carro, que as lágrimas me saem com mais facilidade, acompanhadas por uma música, que me transporta, aqui, ou ali...
Quando estava grávida... e pensava na maravilha que acontecia dentro de mim, emocionava-me sempre e de algum modo libertava, nas lágrimas, os risos, ou as pressões...
Ontem, enquanto o levavamos, o Besnico adormeceu profundamente... e pude chorar à minha vontade... Assim que chefuei lá, eu e o Dr.João, entendemos que seria a única solução... Vou ter saudades também, deste veterinário. Mais do que um veterinário, ele tem sido Nosso Amigo... fiel e interessado durante 11 anos... Os dois, decidimos sempre o que fazer e cumprindo à risca, todas as suas instruções, um cão, que morreria em 2 ou 3 anos... Viveu 11...
Não tenho qualquer complexo de culpa.
Tenho a sensação de dever cumprido.
Mas vai custar-me, a adaptar a minha vida, a uma vida sem o meu... Amigo...
Sem aquele, que esteve sempre lá... Que não foi, nem iria embora. Que me aturou bem e mal disposta. De manhã e à noite. Segura e Insegura...
A verdade?
Nunca me decepcionou.
Nunca de verdade me desiludiu...
Por isso mereceu tudo! E apesar de haver quem achasse, que eu exagerei... Faria tudo novamente!