quinta-feira, novembro 09, 2006

ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE

Não sei há quanto tempo não nos víamos…

Talvez um ano, talvez dois. Sei que escrevi aqui a última vez que nos encontrámos… Acho que foi há dois… Naquela altura vieste ver-me num dia que ficava a meio de outros dois, importantes e contigo relacionados…

Ontem…

Ontem voltei a encontrar-te… e não gostei de te ver. Ou não gostei do modo como me viste, ou como me olhaste… Houve qualquer coisa no ar que não gostei. Ainda que não saiba de facto o que foi.

Sem ser coincidência… E lá há coincidências…

Ontem mesmo fui com o cão que me ofereceste, há 11 anos, ao Dr.João… Andava estranho, tipo engasgado, desde segunda feira… O caso é… Tumor na próstata, tumor no coração, liquido à volta do coração – que lhe foi retirado… aproximadamente 700 ml – liquido na pleura… Diz o Dr. João que se não tivesse lá ido ontem, mais uma semana e ele morria.

Custa-me – e muito – imaginar, que vou deixar de viver com ele… Há algum tempo, que o noto cada vez mais velho e me mentalizei que muito provavelmente ele não viveria mais um ano… O liquido pode voltar, o que significa fazer ecografias periódicas… sem qualquer comparticipação, ou ajudas de custo… Mais do que, querer que ele viva, o máximo de tempo possível… A questão coloca-se ao nível financeiro… Os valores são incomportáveis para qualquer cidadão normal… Mas imaginar-me a dizer que o abato, assim à partida, ou à chegada ou por principio, está fora de questão… em absoluto.

Se fosse para o abandonar, qualquer que seja esse sentido, tê-lo-ia feito aos 4 meses, quando ao fim de um mês comigo ele se apresenta com; Sarna dermodecica… doença que não se pega aos humanos, mas que mata os cães…

Durante 11 anos, tenho tratado de ti, como posso. E tens sido para mim, um factor de equilíbrio emocional, fundamental…

Um dia, eu e o Besnico vamos ter de viver sem ti… e por mais que me custe, não existem condições financeiras de sustentar um cão… Não é a alimentação… Nem sequer a “prisão” ou os estragos, nos primeiros dois anos de vida… São mesmo as despesas médicas…

Ainda assim e apesar de não nos termos casado, nem nos termos prometido fidelidade eterna… será até que a morte nos separe… Ao contrário, daquilo que prometi ao teu ex-dono… de quem a vida nos separou…