terça-feira, agosto 10, 2004

Gerações de mimo

Reconheci a existência do mimo, no sorriso lindo da minha mãe, na voz doce, como só ela, no embalar da sua profunda ternura.
Não consigo largá-la, separar-me dela. Preciso dela, da raíz que ela representa do Amor incondicional, que me serve de exemplo e não consigo sentir, quase como se fosse inatingivel, essa perfeição de Amor pleno, que Amo, mas não consigo igualar.

Da minha Avó, sua mãe de quem falo 2 textos abaixo, o rosto enrrugado, os cabelos prata e o olho azul vivo, profundo, intenso, de algum modo iluminado!

Do meu filho, o seu choro ao nascer, o seu olhar só dele, o toque das suas mãos, o modo especial como diz "Ó mãããeeee" de tom baixo e doce, quase cantado, a cumplicidade já existente, o "abacinho" com a suave palmadinha nas costas que me consola...

Gerações de mimo que conheci na minha vida!

Gostaria de saber agradecer a Deus, tudo isto, que a minha vida tem! E que tanta gente não faz a minima ideia de que seja sequer possível, a existência do mimo, muito menos gerações dele!

Choco-me, embora tente disfarçar, quando existem mães, avós, filhos, que perdem tempo a ofenderem-se, a cobrarem-se, a magoarem-se, a ferirem-se, a afastarem-se, a fugirem uns dos outros e tento partilhar com carinho esse mimo, que herdei! Abrançando-as, mimando-as, beijando-as sem esquecer de dizer que "é por isso que gosto de ti".

Por vezes sinto-me presa, agarrada, sufocada por esta geração de mimo e apetece-me fugir, desaparecer e mandá-los todos a esta parte ou aquela. Mas depois, alguém conta algo que me faz novamente valorizar, a minha mais preciosa herança! Gerações de Mimo!

(outro dia, falarei das heranças que pagava para não ter...)

O meu blog anterior:

www.partilhas.blogs.sapo.pt

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