Olá avó,
Este fim de semana estive com a sua filha mais velha.
Não a via há um ano e fiquei chocada, quando a vi, com os cabelos todos branquinhos. De repente vi-a, a ela e a si e tive muitas saudades, abracei-a muito, muito, com muito carinho e muita saudade dela e saudades suas! Estavam as duas, lá! O sorriso, o modo de andar, o olhar vivo e os cabelos brancos, cor de prata, lindos, lindos!
Há uns meses fui visitar a família na aldeia e consegui ver a sua casa.
Está linda, fantástica!
O palheiro grande é agora uma sala. Uma sala, com as paredes de pedra, do antigo palheiro fresco. Uma das manjedouras é um banco, com almofadas em cima, para ser confortável. As janelas são as mesmas e a porta do fundo (que eu nunca tinha visto) voltou a funcionar. A casa do forno, foi a baixo. Mas sem ela lá, a pedra do palheiro vê-se toda e está lindo. O poço desapareceu e em seu lugar ficou um telheiro com telha à vista, muito simpático! O Pátio passou a ser um jardim, bem tratado.
O sótão, em vez de ratos, tem 3 quartos. Os quartos cá de baixo juntaram-se todos e são agora uma só sala, ampla. A enchê-la estão livros e mais livros que se espalham no chão, enquanto alguém os abre e lhes retira histórias, de outras vidas como a sua, ou a de quem as lê. Está acolhedora e desarrumada, mas viva, muito viva de histórias, memórias e ambientes.
A chaminé que nunca vi funcionar e onde até dormi, com mais primos, no Natal, fumega novamente e aquece a casa!
E a avó continua viva naquela casa.
Nesse dia também tive muitas saudades suas e as lágrimas teimavam em molhar a minha T-shirt, mas eu não consegui retê-las! Como se o olhar vivo mas triste do novo dono da sua casa, fosse parte do seu e o aperto de mão sentido, passou-me as suas festas de mãos calejadas, duras e fortes, mas ao mesmo tempo tão doces e meigas.
Nenhum de nós ficou com a sua casa, mas ela está estimada e viva. Diferente mas viva.
Beijos e saudades avó, muitas, muitas.
O meu blog anterior:
www.partilhas.blogs.sapo.pt
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