domingo, dezembro 05, 2004

Mãe,
Já pensei várias vezes em escrever sobre si, aqui. Mas, de cada uma das vezes que o pensava, as lágrimas tolhiam-me a vontade e passava a outro tema.
Amei a conversa desta tarde, daquelas que só se têm com aquelas Amigas. Já sei, por vezes esqueço-me que a si, não posso dizer determinadas coisas. Mas, que fazer? Elas estão ali, prontinhas a sair, acaba por ser consigo, que de vez em quando, me partilho em conversas longas, fartas e tão saborosas, que me preenchem a alma, a vida tantas vezes.
Há dias, em que não percebo, como é que não me vê. Mas, afinal, parece que são poucas as pessoas que me vêm! Ou então só me reconhecem o espaço, quando já fui, já não estou lá. Talvez, eu não seja, tão transparente, como gostaria de ser, talvez seja eu, que induzo os pensamentos dos outros a um lado, ofuscando-os só com esse! Talvez!
Falo demais, claro que falo demais. Mas ainda assim e por mais que eu fale de mim, aquele lado poderoso, está escondido e quando se revela é de um tamanho, que já não é manobrável. Nunca é. Nunca foi. Talvez um dia. Mas, não agora. Não sei, nem quero ser, de outra maneira. Sou assim de coração, na boca ou triste e calada, conforme o dia, a hora ou ocasião, mas sou Eu! Sem esforço, nem erro. Por mais tropeções que dê, a minha força, estará sempre lá, em vós, através de vós. Não, Mãe, não tenha medo. Mesmo que vocês os dois, já não estejam cá, estarão sempre em mim e a minha força, advém da vossa força e fragilidade juntas. Por vezes, não sei bem, pode ser assim ou assado, mas no fim, aprendo sempre alguma coisa.
Só confio em mim? Sim! Com tudo o que já me deram, o que já dei e o que hoje partilho. Confio na vida. Na minha. Claro que na minha, através nos outros, com os outros, pelos os outros, mas em mim. Pode de ser de outro modo? Não me parece.
Eu amo-a, muito, respeito-a imenso e não concebo Amor, sem respeito. Mas, não tente ainda que eu seja de outro modo, porque eu jamais serei.
Um abraço e um beijo, daqueles que só nós damos.

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