Que titulo?
Procuro arrumar a minha cabeça. As minhas ideias, os meus sentimentos.
Após o Natal e especialmente nos últimos anos, a última semana do ano, dedico-a a pensar em mim, no que é que QUERO, muito, mudar no ano seguinte. Escolho só um tema. Outras vezes, não preciso de o escolher, ou durante o ano, ele revela-se diferente, do previamente estabelecido.
Este ano, estou parada de mim. Impossível pensar em mim, na minha pessoa, sem pensar nos milhões de pessoas, do outro lado do mundo. No modo, como outros humanos, vivem as suas vidas. No modo, como as sentem, como se olham.
A igualidade de todos nós fica escarrapachada, neste acontecimento mundial. As águas atingiram todos indiscriminadamente. Não escolhem, idades, sexos, preferências sexuais, cores, ou supostas classes económicas ou intelectuais.
Ainda assim, só oiço jornalistas a pensar em mortos. É mais precioso contar histórias de mortos, do que histórias de desaparecidos… ou salvos, ou vivos… Não quero vestir a pele do inteligente, ou iluminado. Mas, será que não aprendem nada?
Em épocas de crise, ou calamidade. Sintonizo o meu auto-rádio na TSF e é lá que fica, até me fartar. E ainda assim, é único "lugar" onde consigo saber o máximo.
Finalmente já se consegue ouvir mais coisas do que números de mortos. Os sentimentos de entre-ajuda e solidariedade têm sido fantásticos. Aquela gente, sem nada, procura partilhar o que tem com os turistas…
A necessidade obriga pessoas vivas a lidarem apenas com corpos mortos, há 3 dias. Fotografam-se mortos, revelam fotografias de mortos. Expõe-se fotografias de mortos. Enterrados, sem qualquer ritual de morte, para que possamos continuar a celebrar os rituais de vivos.
Na India, deixaram de contar corpos cadáveres, desataram a cremar corpos e a dar atenção aos feridos e vivos.
A pequenez e a resistência da Natureza e da vida, são muito mais do que números, algarismos, algoritmos ou expressões.
O meu filho dorme, no quarto do lado, enquanto escrevo este texto. Uma constipação, a dois degenerou numa conjuntivite e uma amigdalite. Chamei o médico, depois a Farmácia. E 3 horas depois, sem sair do conforto do lar. Ele está medicamentado… Que luxo. Meu Deus do Céu. Cada vez me convenço mais, que o bem mais precioso é a Saúde e não a Vida.
Vejo todos os canais à procura de histórias felizes. E, ouvem-se… Que bom, no meio de milhares de mortos e desaparecidos há familias que se reencontram.
Não consegui ainda, sentir em mim, qual a lição que devo retirar daqui.
Claro que me pergunto, porque raio é que não avisaram as pessoas... E ainda, se não existe uma Lei Internacional, que Obrigue e não me enganei na palavra, quero mesmo dizer, obrigar, forçar, retirar qualquer hipótese de opção às empresas farmacêuticas. Estas deveriam ser obrigadas a fornecer a pelo menos preço de custo, os medicamentos necessários, para prevenir as epidemias. E outros que quem sabe, deve dizer quais.
Pede-se a ajuda do Povo, que nunca sabe qual o valor angariado... e nem o destino, que lhe é atribuído. Se todos contribuíssemos com 1 Euro... Portugal sózinho contribuiría, com dez milhões de Euros...
Mas, a verdade é que não acredito, que esse dinheiro seria utilizado, no sitio certo...
Sem comentários:
Enviar um comentário