Birras
A familia estava reunida à volta da mesa, em casa dos meus tios.
O Besnico, intercalava, entre mexer nas chávenas de café (ainda vazias), alternadamente e o açucareiro... até que acabou por entornar o acuçar... parte... ainda estava eu a apanhar o açucar da mesa, quando ele vira o copo de água.
Passei-me.
Peguei nele e institivamente pulo, no lado de fora da porta. A cozinha tem a porta logo ali ao lado...
A madrinha dele, foi atrás dele... e eu passei-me ainda mais...
O ambiente ficou tenso... e nós tensas uma com a outra.
Contrariamente ao habitual, estivemos mais de uma semana sem falarmos uma com a outra... e eu acabei por telefonar...
- Olá Meu Amor, estás bem?
- Estou e Tu?
- Também... Podes falar?
- Estou a trabalhar!
- Então ligo mais logo, era só para dar um Beijo...
- Não, não, não. Não desligues... Quero jantar contigo... Ficámos tristes ma última vez, que estivémos juntas...
- Pois foi... Mas, está tudo bem... Só nós é que não precisamos de grandes palavras, para enterdermos, que não ficámos bem...
Mais de uma semana depois, lá fomos jantar as duas...
Ela, é uma das pessoas, mais importantes da minha vida. Além de minha prima, é minha Amiga. A madrinha do meu filho e uma das (há mais) mulheres/parte de mim, que melhor me conhece.
Somos completamente diferentes uma da outra. Mas, completamo-nos...
Falámos de muitas coisas, antes de partilharmos, as nossas opiniões do nosso arrufe.
Ela, pode dizer-me o que quizer. Aliás, deve dizer tudo. Mas... há que ter atenção, no como e no quando...
Eu defendia, que ela me desautorisou e não pode fazê-lo!
Ela defendeu, que ficou chocada, com a minha reacção e com pena dele.
Expliquei o meu instinto; na sala, há muita coisa para partir... Eu tinha o açucar e a água, para apanhar, não podia esperar outro acidente, porque não tinha olhos... e ninguém na mesa, me tinha auxiliado, nem sequer reparado, nas chávenas dançantes, nem no açucar, só no copo de água e na minha tampa, a voar... e claro está, não estava sózinha com ele, na minha casa...
Ela reagiu; Então a tua zanga era connosco e não com o Besnico!
Demorei a interiorizar, a ideia... Ela tinha razão. Éramos 8 pessoas à mesa e ninguém ajudou a chamá-lo a atenção, mas todos se viraram contra mim, no exagero da minha reacção... E eu passei-me, com eles, por não terem visto o que estava à sua frente... Mas, não percebi... o que à posteriori ela tão bem identificou...
- Sabes - Dizia ela - nem sempre é fácil entender, que tu queres ajuda... contigo, tudo parece sempre sob controle.
- Quando eu estou com vocês e falo; de ti, do teu marido, dos teus pais e dos meus, conto convosco. E não espero, que estando lá... deixem tudo para mim, nem que seja preciso pedir... A verdade é que quando vocês intervêm, é tudo mais fácil... Mesmo que de vez em quando, eu ache exagerada, esta ou aquela reacção dos nossos pais... tenho que aceitá-las, eu preciso delas e das outras...
E assim ficámos; esclarecidas. Acho que nunca tinhamos ficado, tão esquerdas uma com a outra... Foi bom, resolver.
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