Gostei de te ver
Abrandei, para te acenar e te dizer, um Olá, andado e sem paragens. Fizeste-me sinal, para encostar e entre uma sandes à pressa, a correr na minha hora de almoço em apenas cinco minutos, soubemos o essencial um do outro, sem desligar o carro, nem quase retirar as mãos do volante.
Não falávamos há seguramente 10 anos. E mais uma vez, nos cruzámos, por acaso, na rua. O acaso, cruzou-nos tantas vezes... engraçado continuar a fazê-lo.
Fiquei a pensar, que a minha vida, tem tão pouco para contar... assim resumidamente, consegui fazê-lo num instante, concentrando-a no mais importante.
O meu casamento, o meu divórcio, o nascimento do meu filho, mais uma separação, a minha vida a dois com o meu filho, o meu mau feitio, os nossos egoísmos... as nossas profissões, as nossas familias pais e irmãos... e já está.
Por outro lado, acho também que fui injusta... Havia tanto para falar, para contar, para partilhar... Mas, fará sentido?
Sinto-me cada vez mais de coração na boca. Falo tudo, logo ali. Sem pensar no que digo, respondendo aos instintos, que me provocam os outros.
Fiquei na dúvida se estavas a ser simpático comigo, ou se te lembravas realmente do que eu te dizia... já há 14,15 anos? Passou tanto tempo. Tanta vida, para cada lado... Mas, estás na mesma. O tempo, foi simpático contigo.
Tentei reportar-me lá aquele tempo e não consigo ordenar, nada cronológicamente. Nem justificar, porque é que fizemos um almoço de despedida, antes do teu casamento e não nos procurámos mais. Não nos vimos mais... a não ser por acaso... mais uma vez, quando estavamos os dois casados.
Podias ser um amigo colorido, mas sempre te vi como um amigo. Não daqueles Amigos, com aquela letra, não porque eu não o quisesse, mas porque tu não o querias. Quando estavas comigo, estavas mesmo, igual a agora. Estavas lá, naqueles 5 minutos, mas depois quando não estás... não estás mesmo, pensava eu que nem em memória... Mas... enganei-me.
Beijos até ao próximo cruzamento.