terça-feira, novembro 15, 2005

Pai, eu hoje faço "quarto"anos

Acordei-o de manhã, como se fazia na minha casa, quando eu era da sua idade... Cantando-lhe os parabéns. A diferença é enorme... Eu tinha três pessoas a acordarem-se de sorriso aberto e doces vocês, cantarolando para mim, logo de manhã...
O meu filho, tem uma mãe e ponto final! Mesmo, que o cão lá de casa se entusiasme com o tom de festa, de manhã... o tom baixo, quase nem o chama!
Acabei por me romper em lágrimas de felicidade e nostalgia. Lágrimas, com que tento lavar o que me dói. Olhando para nós dois e sentindo, que não era isto, que eu queria oferecer ao meu filho.

Por mais, que algures no tempo, a produção independente fosse uma quase certeza. Hoje, acho que ela por si só não faz sentido.

Em 2001, não choveu no Outono.
O dia amanheceu solarengo, de temperatura amena.
O pai, tinha saído, não me recordo porquê.
Vesti-me, preparei o resto da mala, a minha e a tua. Sentei-me na mesa da cozinha, aquecida, por aquele sol que ainda era quente de Novembro e escrevi uma carta aos meus pais.

Tentei dizer-lhes o quanto os amo, o quanto os admiro, o quanto eu preciso deles. Naquele dia, em que eu seria mãe, de um bebé que nunca quiz saber se era menina ou menino, mas que tinha a convicção de ser menina...
A cesariana estava marcada e eu tinha de chegar ao Hospital às 12horas.
Aquele era o dia em que eu me tornaria mais próxima da minha mãe. Em que um elo invisivel nos ligaria para sempre. Mesmo, que sempre próximas, sabia que esse dia, nos tornaria ainda mais cumplices. Não me enganei.

Os médicos estavam entretidos com os seus utensilios enquanto eu conversava animadamente com a anestesista e com eles. A aposta era se seria menina ou menino. Só um dos médicos sabia e o pai... ele quiz saber. Teve o direito. Eu queria a surpresa... Até ao momento do nascimento, não queria imaginar nada... E esperei, calmamente, pelo momento mágico.

De repente eles calaram-se, os rostos tornaram-se sérios... Assustei-me... Era o cordão... tinha duas voltas... depois seguraram-no pela nuca... ficou enorme... e chorava alto e em bom som... Aí foi-se a descontracção e chorei a bom chorar... aquele bebé enorme era o meu filho - visto de baixo, parecia enorme... mas não era. Foi a anestesista quem do meu lado direito, me diz; "É um rapaz!" Eu nem tinha tido curiosisdade para saber se era menina ou menino...

-Olha! Agora deu-lhe para a emoção, brincava o médico mais novo, comigo.

Mas a emoção era realmente grande e eu não conseguia parar.

Ao sair para o recobro, queria ver a minha mãe. A Minha Mãe! A Partilha da emoção de ser Mãe, só era possível com Ela... Algo, que o meu filho nunca terá comigo... Pode tê.lo com o pai... Mas, não comigo...

Parabéns Meu Amor! Sê Feliz, muito feliz!

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