domingo, novembro 13, 2005

Vontade

Quando sinto vontade de escrever, para clarificar as minhas ideias... tento fazê-lo no espaço, que criei para falar, do que me apetece clarificar.
Depois percebo, que tu vens ler este espaço...
E fico na dúvida se devo deixar os meus dedos falarem com os teus olhos... ou os meus dedos arrumarem a minha alma, à luz dos teus olhos.

Então fico com vontade de voltar a mudar o espaço de lugar...

Mas, essa vontade não é suficiente... E sinto-me culpada... não é bem a culpa... mas culpada... por te deixar veres-me...

Só agora - e por agora entenda-se ontem -, comecei a interiorizar o que me disseste a última vez que nos vimos... Não percebo porque só agora... Mas, ainda assim, só agora.
A juntar a frases soltas e a todoas as peças de um puzzle, que comecei a tentar "adivinhar" há alguns meses...

Percebo agora, mais do que nunca, o porquê... ou o não porquê, porque continuo sem saber... porquê... Não porque hoje... Mas, porque é que me deixaste estar nesta mentira durante todo este tempo... Porquê...

Depois acho, que tu não mereces, que te deixe ler, o que penso, ou sinto... Mas, também não me apetece ser de outro modo. Mesmo, na merda, eu acabo por ser , sempre, muito mais corajosa do que tu...
E depois...
Bem depois, sinto-me escoar, não sei por onde...
Com aquela vontade imensa de ser, o que sou, mas sentir, que estou presa, agarrada, tolhida e não consigo ser... Tipo vulcão, pronto a explodir, a concentrar energias para libertar, sem perceber, por onde...
Afinal, pode ser melhor, para o ambiente que o vulcão não exploda... mas ele precisa de o fazer... Mais dia, menos dia, de modo imprevisivel...

Sinto uma vontade gigantesca de virar a mesa e fugir, desaparecer, eclipsar-me por aí algures no mundo, com o meu filho pela mão.
Libertar-me de tudo o que me prende. E o que não me deixa ser o que me apetece. Embora, saiba, que posso fazer tudo isso por cá, por aqui. Mas, a coragem... essa não chega... nem está disponível na farmácia... e depois irrito-me, com a minha própria cobardia... mando-a embora, com medo de a perder e corajosamente a tentar ignorá-la. Chamo-lhe outros nomes, mas os mesmos nomes, têm entoações diferentes...

Sinto-me cansada. Da minha vida, do meu mundo, da minha cidade, das minhas rotinas... dos meus dias. E da perfeita estupidez, que é, eu queixar-me... sem moral, nenhuma, mas com vontade de o fazer...

Vontades, morais ou imorais...