11 de Setembro
Mesmo fora de prazo, este é um dia tão importante como o Natal, pelas razões inversas.
Há 3 anos, uma Amiga telefonou-me a contar o que se passava e eu não percebi nada... à noite tive a noção... ou não! Chorei copiosamente, pela dor causada nas pessoas, nas familias, pelo desespero, de cada uma, das pessoas, que morreu com sofrimento de modo lento e sofrido, pelo medo, que do outro lado do Oceano me chegava de rompante, sem me deixar tempo para pensar. Só me apetecia chorar.
A pergunta era; E agora? E amanhã? E para a próxima semana? E daqui a 2 meses quando o meu filho nascer... em que mundo vai estar?
A conclusão; Ninguém é intocável! Todos temos as nossas fragilidades! E como...
Aquele foi o primeiro dia, do resto das vidas do mundo! E de outra maneira de o encarar. Voltámos à guerra fria, ao medo latente, ao desconfiar do alheio, à classificação, agora já não de Comunistas e não comunistas. Mas, Muçulmanos e não Muçulmanos... A polaridade inverteu-se! São os Mouros que perseguem agora os Cristãos... e estes esquecendo-se do seu passado... atiram pedras e mais pedras... E em nome da Paz, perpetuam a guerra...
Todos os anos, choro, choro e como choro, o horror de uma guerra que teve naquele momento a mediatização do sofrimento Ocidental... e o outro? Aquele que não se vê? Aquele que não se vê, que não nos é mostrado, imposto...
Também há 3 anos, estava eu grávida, quando a uma praia onde eu passeava com o pai do meu filho, chegou um barco de pesca. A pouco e pouco aproximei-me deste barco, nas redes centenas de peixes saltavam, gritavam de dor, mas ninguém ouvia, as suas guelras secavam sem sangrar, sem impressionar... e a pouco e pouco, o meu passo desacelerou, ouvi o barulho ensurdecedor desses peixes, vi-os envoltos num mar horrivel de sangue e parei. Voltei costas e segui noutra direcção...
O meu blog anterior: www.partilhas.blogs.sapo.pt
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