segunda-feira, setembro 20, 2004

Não sei

Não sei se pensaria assim como tu, talvez eu visse mais do género;

- Como me vejo,
- Como me vêm,
- O que sou...

Aqui neste espaço, onde falo com quem quero; eu, o meu Filho, a minha avó, os meus amigos, o meu Amor, as minhas partes de mim..., e convosco, os que não me vêm... mas que afinal, me vão conhecendo, através do modo como me vejo a mim...

Sim, apeteceu-me escrever para te dizer, que os malucos, não dizem tudo, esses têm talvez rasgos de lucidez... e dizem o que podem dizer...

Quem diz tudo? Os nossos filhos, esses dizem tudo. O que sentem, o que querem, o que não querem, mas só para nos testarem, afinal querem mesmo... O que idealizam, o que imaginam, o que sonham e o que vêm em nós! Acho melhor não lhe perguntar nada, ainda é bem capaz de me responder "És Bem feita!" com aquela cara de ofensa... e eu lhe respondo "E tu também e és lindo!"

Tenho um Amigo, que numa altura da sua vida, foi treinador de cães... Diz ele, que os cães, são muito parecidos com os donos, que escolhemos os cães, com que mais nos identificamos... Achei uma graça, à ideia! Pode não ser linear, mas é mais ou menos... Há quem diga que têm o feitio... dos donos!

Os nossos filhos... pois são mais ou menos o espelho de nós?... No meu caso... de mim... do pai... dos avós... de que lado...?? Espero que Deus lhe dê o bom senso suficiente, para escolher o melhor de cada um de nós... Será que o deixarei ser, o que é? Será que o deixarei realmente SER, com as minhas manias "chatas" de quem tem tantas "certezas".

As dúvidas, em idade que a maioria não tem! Ontem dei por mim a pensar, que tenho uma sorte imensa, em ter na minha frente um ponto de interrogação, na continuação da minha vida, amanhã. Mas, que é essa interrogação que me faz tentar talvez, procurar uma certeza. É dificil o equilibrio... Por um lado a estabilidade agrada-me, por outro apavora-me... É bom, acordar de manhã e decidir o que quero fazer, mas nem sempre a disponibilidade da companhia que me apetece, é a mesma que a minha.

E aqui estou eu, a escrever para alguém que nunca vi, que não conheço, mas que existe e é real... Afinal o que somos nós realmente, o que chega aí? Ou o que lhe dá a origem, daqui? Será que nos projectamos assim de modo tão diferente, do que somos?

Beijinho

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