Encontrei a lâmpada que tinha perdido e que gostava tanto, de ver, naquele candeeiro.
Sentei-me no chão, com as pernas cruzadas à Chinês.
Apenas a lua iluminava o que fazia, como que assistindo silenciosa ao meu momento, comigo.
O meu menino, dorme agitado no quarto dele, que para ele, ainda é meu… na sua cama grande… acho que se perde nela, estranha-a, acha-a pouco familiar… Nem pergunto se gosta… tenho medo… ele também!
Atarrachei a lâmpada na rosca que parecia não ter o tamanho adequado, mas para meu espanto, o candeeiro não acendeu! Abanei a Lâmpada, procurando o som do filamento solto… Não o senti. Insisti! Nada! Teimosamente repeti a mesma sequência, mais vezes do que gostaria, claro que com o mesmo resultado!
Parece que o problema estava no candeeiro. Desisti! Deixei a lua iluminar o espaço que me pertence e entretive-me a apreciar a sombra reflectida do meu corpo. Alterei as posições, tentei dançar comigo, rodopiei, tentei fugir da sombra, mas a pouco e pouco, a lua deslocou-se… Só me apetece ouvir falar a minha língua, cantar a minha língua, ler a minha língua, ao som do CD escolhido … não oiço as palavras, que me soam familiares, sinto as notas e danço comigo, com a minha sombra, à procura do meu ritmo...
A lua já não ilumina o meu espaço, deve estar entretida noutro. Deixou-me sem a sombra, sem a luz suficiente, para me apetecer voltar a experimentar, o candeeiro e a lâmpada. Voltarei a tentar noutro dia.
Estendi-me sobre a minha cama e fechei os olhos, preciso de descansar.
Ouvi o meu menino mexer-se, o cão a andar de um lado para o outro. Levantei-me, abracei o meu fiel amigo, com força e olhei-o bem fundo, à procura do que me dizem os seus olhos. Sorrio, meu Amigo, estás sempre aqui e por vezes esqueço-me de ti. Passei ao sofá, saboreei um cigarro. Oiço agora, de modo claro, as palavras daquele disco, que me diz tanto.
Até amanhã, descansa, dorme Bem!!
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