sexta-feira, novembro 26, 2004

Limites e formas

Olhei para eles, de várias cores, formas quase iguais. Alguns tinham uma textura mais forte que os outros. A ideia, era que quando acordasse, os encontrasse, a cobrir o chão do quarto.
Percebia, mal lhes tocava, que alguns eram mais maleáveis que os outros; pensei que seriam também, mais resistentes. Colocava então a ponta por onde deveria soprar, junto aos lábios e soprava, com força e determinação de modo a atribuir-lhe a forma, que já alguém lhe tinha destinado. O limite estava lá, mas eu esticava em demasia alguns... rebentei um... outros com medo de os rebentar, ficaram mal cheios e outros perfeitos.
Passaram-se duas semanas.
Alguns esvaziaram completamente, pareciam completamente vazios. Outros estão agora a ficar... e outros, parece que estão para durar.

Por vezes fico espantada comigo.

Quando olho um balão, imagino-lhe uma forma, adivinho-lhe o desenho, se o tem ou não e qual o seu limite, para a utilização do momento... afinal, quando se enche, o balão é para aquele limite de tempo... Alguns foram para o lixo, outros irão este fim de semana... E o que é que eu faço aos que ainda estão em bom estado? Rebento-os?Pinto-os, para os oferecer no Natal? Mando-os pela janela? Ou deixo-os estar, abandonados, sem qualquer utilidade, até acabarem por se esvaziar?

Por vezes, acho que estabeleço utilizações pré-definidas aos objectos e que não o deveria fazer. É mais ou menos, o que acabo por fazer com a vida e as pessoas. Depois de as desmontar, de as analisar, de as escaranfunchar e de as intuir, as conhecer e as gostar, defino-lhes aquele papel, que me parece ser... Algumas, não lhes dou a atenção devida e tornam-se importantíssimas. Outras esticam demais os meus limites. Inclusivé, aqueles que eu própria, desconhecia e depois admiram- se quando BUM a cena explode. E o balão preferido, limita-se a ficar registado em fotografia, naquela festa fantástica, em que foi o balão, mais importante do mundo... E como é bom, mesmo que explodamos um dia, termos sido o balão mais importante do mundo.

Existem dias, em que sinto que é esse o meu papel, encher e rebentar balões.

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