Rotina
Fiquei sem saber se te devia abraçar, tocar... Que fazer? Claro que o que me apeteceu foi mesmo abraçar-te o que acabei por semi-fazer, mas fiquei à "rasquinha"...
Vocês (a minha mãe, utilizava sempre o vocês... rst...) , não falam, não deitam para fora, não desabafam, não querem pensar sobre os assuntos e vai daí... explodem, mesmo quando não querem, mesmo quando não seria comigo, que te apetecia... mas fui eu que falei... e era eu que lá estava. Fiquei perturbada com a tua tristeza, com a tua culpa, mas ao mesmo tempo fiquei feliz por puder estar presente no momento em que precisavas de um ombro amigo. Gosto muito de ti.
Disse-te que os casais quanto mais problemas têm, mais se unem... não se será bem assim. Mas, é mais ou menos se não te matam, fortalecem-te. Alguns morrem... com eles ou com a falta deles!
Os meus avós tinham uma preocupação, dar de comer aos filhos, dar-lhes escola até à 3ªclasse e pô-los a trabalhar bem cedo. Todos fora de casa, para que tivessem uma vida melhor e dos meus pais aos meus tios, todos começaram a trabalhar ainda meninos e meninas. Não tinham tempo de pensar se eram felizes, ou não eram felizes. Não tinham tempo para pensar se se gostavam ou deixavam de gostar. A vida no campo era dura. A pirâmide das necessidades começava bem na base; Alimentação, saúde e vestir e calçar (aos domingos).
Os meus pais pensaram em trabalhar. Tiveram como objectivo que eu e o meu irmão tivessemos tudo. Alimentação da melhor, saúde da melhor (em acompanhamento), educação da melhor, nem que para isso, nos vissem pouco... Não foi essa a prioridade dos seus pais.
Eu?
Eu quero ser feliz. Não me passa pela cabeça passar fome, nem que o mesmo possa acontecer ao meu filho. Nem ficar sem tecto. Mas, confesso que tenho um medo terrível de não ter saúde e de não conseguir trabalhar... Inconsciência? Talvez seja. Mas, apesar de ser "terra a terra", não gosto muito de pensar no material...
Eu, quero ser feliz. E a minha rotina, continua tal como os meus avós e os meus pais concentra-se a gerir os recursos. Só que aqueles que eu identifico são diferentes dos deles, porque não preciso... ou não é tão óbvio... Não consigo passar a vida a pensar se tenho dinheiro se tiver uma dificuldade... Irresponsabilidade? Talvez... Mas, não é o que quero para mim...
Claro que sei que tenho as costas quentes. Á minha volta, tenho 4 sombras, como um jogador de futebol...
Quero ver e saber além do que vejo. Quero sentir e viver, além do que sei. Quero quebrar as regras e os limites que se definem na minha vida e rasgá-los diariamente em cada momento que partilho nela... com ela... através dela.
Serei mais egoísta? Mais egocentrica? Talvez não. Gostava de ver o mundo no seu global e naquilo que fica além do que nos conseguimos ver... afinal "o essêncial é invisivel para os olhos"...
O meu filho?
Que quererá o meu filho?
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