quarta-feira, novembro 24, 2004

Suicidio

"Arranjas-me uns trocos?"
Olhei aqueles olhos azuis, tristes, abri a minha mão e estendi-lha; "Só tenho isto"; era uma moeda de 25 Escudos. De sorriso também triste, pegou a minha mão e fechou-a. "Deixa estar".
No dia seguinte a dor invadio o liceu. Tinha-se suicidado com um tiro na cabeça.

Sexta-feira, dia 13 de Janeiro, não consigo precisar o ano. Durante 5 anos seguidos e nesse dia dirigia-me à campa numero 13.222. Até que um ano, já não estava lá...

Não consigo esquecer, aqueles momentos daquela tarde de 6ªfeira. Quase como que um pedido de ajuda, que não consegui entender, precisar, responder. Não é culpa, é vontade, é alerta. É uma ideia que me apavora, que me assusta, o não perceber, o não estar atento, quase como se o meu papel, não tivesse sido bem representado.

Nunca soube sequer o seu primeiro nome; apenas o nome porque era conhecido. Era um segredo meu, que não partilhava com ninguém. Essa coisa de ter de te visitar, de te ver, nem que fosse uma vez no ano.

Mesmo, sem ter onde o visitar, penso nele. E de vez em quando, fazem-me pensar nele e na dor que se sente tão forte, que não apetece viver... Não consigo entender. Apavora-me, não conseguir entender.