Do contra
25 de Abril de 1974
Completava 6 anos.
Era a primeira vez, que a minha mãe, me enviava um bolo para a escola, que acabou por não ir…
O meu pai, foi trabalhar, como sempre.
O meu irmão, então com 4 anos, sofria de uma doença, que lhe provocou a perda do andar. Lembro-me de ver os militares, na linha do comboio, que se via da janela do nosso quarto.
Estendemos uma toalha branca no chão e fizemos um lanche.
O meu irmão, também não se podia sentar.
Festejar o nosso aniversário num dia feriado é um privilégio. Podemos passá-lo, com família e amigos, descansada e relaxadamente.
Devo dizer, que me incomoda está cena do 25 de Abril sempre, ou a cultura do cravo vermelho, ou uma luta contra os carrascos e opressores… que hoje elegemos, democraticamente. Mas, que a maioria das pessoas, se esquece de o fazer…
Gosto de dizer, o que me apetece, quando me apetece e como me apetece.
Esforço-me por ter cuidado com o que digo e como o digo, por uma questão de respeito pelos outros.
Passo, pelos meus blogues favoritos e é vermelho, por todo o lado. Adoro o vermelho e o clube é o Benfica… Mas irrita-me este exagero…
Claro, que o facto de eu poder dizer, o que me apetece é fantástico. Esta é a prova disso.
Mas, existe muito mais na liberdade do que eleições com trinta e tal por cento de abstenções, porque ir à praia é mais cómodo e agradável.
Muito mais do que partir do princípio que a opressão acabou, quer seja de empregadores ou empregados, quando o nosso estado “livre” dá trabalho a milhares de pessoas, a recibo verde durante anos. Ou gestores de empresas públicas (nossas, portanto) a ganhar milhares de contos por mês, livre e democraticamente.
Eu, o “povo” continuar a ter medo e sujeitar-se a horas de espera numa urgência hospitalar, ou morrer aos 60 anos, porque um hospital distrital não tem um ventilador… Mas, ninguém reclama, ninguém exerce o seu direito, ninguém tem a noção do seu direito. Continuamos calados a aceitar “livremente” as faltas de respeito institucionais, enquanto os nosso libertadores, têm hospitais só para si (pagos por nós), supermercados, só para si, reformas só para si… em nome da liberdade e da igualdade entre todos… connosco a pagar é claro…
Não vejo televisão neste dia; altera-me o espírito, irrito-me realmente.
Talvez, se possa ensinar que a Liberdade conquistada há 31 anos, atrás, envolve muito mais que cantigas … e que esse 25 de Abril, que nos mostram, não é nosso o da maioria, mas de outra minoria, agora privilegiada, em nome da liberdade.
Liberdade sempre, para sempre, sem tempo e com respeito, mas esclarecida. Podemos sempre, fazer a revolução pelo respeito da liberdade. Pelo respeito de homens como Salgueiro Maia, que o fizeram de alma, com fé e risco… e não dos que vivem , à custa da sua coragem.
E não me peçam, que me cale, porque é por isso que houve uma revolução... porque nem todos, pensamos igual.
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