Esfoliante
Mudo de pele de rosto, de tanto mimo, de tanto beijo. Do desejo, desejado. Querido.
Gostava de mudar de pele. De vestir outra.
De ter uma pele nova. De me sentir, renascida, fresca.
De retirar a velha onde tu te colaste e seguir sem ti, andar, evoluir.
Mas, sinto-me presa, agarrada, deslivre, com um peso às costas, que não me deixa caminhar, mas sem ele, me desequilibro e não sigo na mesma... E repito vezes sem conta...
Não, quero isto. Eu não quero isto. Eu não preciso disto. Tu, não precisas disto. Eu não mereço isto... Mas, não me livro, desta pele, que se colou à minha, deste sabor, que mantenho, deste cheiro que me altera, desta merda destes momentos mágicos, que me sufocam.
Sob protesto e contra-gosto.
Um dia, eu liberto-me disto.
Nunca entendi, porque é que as pessoas, são maltratadas, por quem amam e não se piram. Não entendo, porque é que as pessoas, aceitam nada, quando merecem tudo! Nunca percebi, como é que as pessoas se humilham, em Nome de um Amor, que NÃO É. Que pode ser paranóia, doença, dependência, obcessão, mas NÃO É AMOR. E se sujeitam, a desamores e utilizações e a uma dependência estupida em pessoas, que até não são burras.
O desamor em troca, do Amor dito e não vivido e não Amado.
A humilhação, em troca, de um mimo esporádico, que serve de cenoura ao Burro.
O empatanço, de quem gosta de possuir e não entende, que o respeito pelo outro pode ser uma forma de Amor próprio. Quem quer que seja o outro!
Enfim...
Um dia, eu liberto-me disto. Deixo-me disto. De correr atrás de um nada, de que não me livro. Porque Eu não quero... Porque sou eu a culpada de andar atrás do desmerecimento.
Racional... racionalissima...
Bem, pelo menos não me auto-engano.
Já deixei de acreditar que é Amor...
Pode ser que esteja no bom caminho... até à próxima vez.
É bem feito, para não teres a mania que és a Rainha da Bolacha.