Alhos e Bogalhos
Sem perceber como, de repente, dou por mim, a falar uma lígua diferente... As palavras, até podem ser idênticas, mas fora do meu contexto, não me podem ser dirigidas...
Se eu falar de água, no Luso, não tem o mesmo significado que se eu falar de água, no deserto. Ou se eu falar de Vinho, na Régua, não tem o mesmo peso, que se eu falar de vinho, nas selvagens... As palavras são as mesmas, mas os significados são diferentes.
Falei com ele este fim de semana, era o dia do seu aniversário e pelo menos no natal e aniversários conversamos sempre ao telefone. Confesso que me sabe sempre a pouco. Durante 3 anos, jantavámos empre fora no dia do aniversário do nosso casamento. E ainda hoje lhe mando sempre beijos, que nunca vêm retribuidos... não interessa. Eu não me esqueço nunca e sabe-me bem partilhar essa memória, com quem faz sentido. Tem o mesmo significado que dou, a dar os parabéns ao pai do meu filho, sempre que o Besnico faz anos. Se nos vimos, então tem direito a abraço bem apertado, sentido. É aquela pessoa, com quem mais faz sentido, festejar o dia do aniversário do Besnico...
Apetecia-me mesmo, continuar a inventar um jantar por ano, para o ver. Para conversarmos. Eu sei que nem toda a gente é assim. E ele, não é. Nunca foi. Já não será... Eu posso continuar a gostar de ter... Mesmo não tendo...
É por isso, que me incomoda, que me prevejam comportamentos futuros.
Houve alturas, em que a voz deste homem, me enternecia, outras em que só a sujestão me humedecia, ou me fazia disparar o coração. Outras, em que nem a ouvia. E outras, em que me metia nojo. Não suportava um ponto da sua presença, nada. Queria mesmo era distância, muita, toda. A pouco e pouco, o tempo tudo amainou, tudo pacificou. Ao fim de seis meses, a viver na mesma casa separados, conseguimos conversar sem mágoas, nem dores, sem rancores, nem expectativas. E apesar da inevitável separação, ficámos Amigos. Durante bastante tempo, continuámos a sair juntos, chegámos até a dormir juntos. Mas, a Amizade, o carinho e o respeito estavam lá. E apesar de hoje bastante mais afastados, acho que nenhum duvida da Existência diferente do outro.
Um lado de mim, Amá-lo-á sempre, apesar de tudo o de muito mau, que existiu connosco.
Mas, se alguém me dissesse isto há 7 anos atrás... eu diria que seria completamente impossível.
Talvez por este motivo, me dane, me vire os fígados ao contrário, quando me querem atribuir comportamentos futuros, que eu desconheço...
Depois da raiva, tudo se transforma, que eu não tenho feitio para andar a rosnar pelos cantos, sonre o mesmo assunto, demasiado tempo.
Outras raivas, distâncias ou intolerâncias, acabaram por se transformar, em desaparecimentos. Mas, a maioria delas, transformaram-se em harmoniosos carinhos.
Que é o mais provável, que se passe no futuro... mas, já??? É demasiado cedo...
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