Erosão

Não achava graça nenhuma, a apanhar pedras, junto ao mar.
Eram sempre imensas, magoavam-me os pés e eu queria mesmo era lagartar ao sol.
Olho-as assim brilhantes e recordo o cheiro da maresia, o toque das pedras na minha mão, se eram rugosas e pouco polidas, deixava-as lá. O meu irmão, ao contrário, gostava mesmo era que elas fossem tortas, imperfeitas, rugosas. Mas, ele procurava-as grandes e eu as pequenas.
Ele saltava de pedra em pedra e eu ficava pela beira-mar.
Olho o meu filho e vejo-o tão parecido com o meu irmão...
Acho que ele também gosta das pedras grandes e imperfeitas.
Eu continuo a preferir o pequeno cheio, bem polido. Daqueles que posso colocar no bolso e brincar com ele, rodá-lo, tocá-lo, acariciá-lo, senti-lo, imaginá-lo aos saltos no mar, sentir o cheiro, a brisa, a temperatura do sol. A pele bronzeada. O desafiar das ondas, o riso... Meu e do meu irmão, meninos, cumplices. Meu e do meu filho... a recordar a meninice.
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