segunda-feira, junho 20, 2005

Realidade ou Ficção

O stress, o trânsito, as horas, os minutos, os horários, estas caixas iluminadas. Estes lugares cheios de letras. De números de contas, com vozes, com almas e risos... com tanta coisa e sem nada. O calor, o betão, a poluição. As correntes, as rodas, os carris, as rectas e as curvas...

O arrastar dos móveis do vizinho. Os aceleras, os carros do lixo, as músicas dos outros, os alarmes, os chamamentos dos outros. Os estores dos outros, as janelas dos outros. O fogão dos outros...

A comunidade demasiado presente, cansativa... impessoal, sem nome... mas lá... ou cá... e pesa. Os pássaros, não cantam da mesma maneira. Não venta da mesma maneira, não aquece da mesma maneira.

Um dia vou viver para o campo, ai vou, vou! Num lugar, em que a porta fique aberta, em que se diga, bom dia ou boa tarde, a quem está sentado no banco do jardim. Em que se pare 5 minutos à conversa, com quem nos apetece. Em que exista o tempo, a disponibilidade e a vontade de o fazer.

Deixei de ter tempo para a cidade. Deixei de Amá-la. Foi um Amor que o será para sempre, mas que já me tira, muito mais do que me dá.

Não tenho nem tempo, nem dinheiro, para sair como saia, antes do Besnico nascer. Não tenho a mesma vontade, a mesma disponibilidade. Não me apetece iniciar a noite às 2 da manhã. Gosto de iniciar o dia de manhã, com o fresco da manhã. Perdi a "pica".

Conheço-a. Sei quem é e o que me pode dar, quero utilizá-la, Amando-a, desejando-a, tendo-a, quando dela precisar... Mas, estar obrigatóriamente com ela, como o hoje... Não me apetece. Estou presa, a ela, mas a olhar para o lado, á procura do escape, do modo como um dia, me liberto. E então amá-la-ei de longe e seremos Amantes e felizes.

Um dia vou viver para o campo.

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