Besnicão

Ontem, quando fomos à rua, chovia.
Não tinha mudado de roupa nem tinha chapéu de chuva.
Ainda assim, enfiei o capuz do "casaco de passear o cão" e lá fomos nós.
Soube-me bem, passear na noite escura, silenciosa, de temperatura amena e chuva bem caida, sem vento.
Cheirava a terra molhada e ouvia-se chover.
Ralho sempre com ele, mas sei que não vale de nada. Tiro a trela (não usamos coleira), antes de entrar no patamar da escada na esperança, que se sacuda, ainda na Rua... mas nunca o faz... teima em sacudir-se todo ou na entrada do prédio, ou na entrada de casa...
Tirando o local onde o faz... há dias em que me apetecia fazer o mesmo.
Abanar o corpo todo, começando na cabeça e terminando nos pés, para retirar o que me está no pelo, mas ainda não interiorizou o suficiente. Depois fica com aquele ar feliz, como se risse para mim, olha-me satisfeito e encosta-se todo... sem querer saber, se as calças são pretas ou da sua cor...
Mas, fascina-me aquele movimento, fantástico de sacudir-se de modo eficiente.
Ou daquelas cobras que se esfregam todas, até se libertarem da pele velha.
Existem dias, em que me apetece vestir outra pele... sem deixar de ser Eu.
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