Era lindo,
Nunca achei particular piada, a homens demasiado bonitos. E os homens que Amei, Amei-os por dentro... e por aquilo, que só eu via - vejo - neles. Gosto de homens que não dão nas vistas... sou possessiva, não gosto, que me invejem o que é meu... pode ser um ponto de vista...
Acho sempre, que as pessoas demasiado bonitas, são egoístas. Só pensam nelas, acham-se o suprasumo da beleza e aceder-lhes é um privilégio, posso estar enganada... Mas, é a sensação que tenho... falando em homens... que as minhas amigas, são e sempre foram, lindas de morrer...
Era na base de eu com muitos kilos, calças rotas e ar descabelado e elas, todas giras e arranjadas a melgarem-me a cabeça... Lá conseguiram convencer-me e com muitos anos de esforço, hoje já não me livro da maquilhagem diária, do cabeleireiro, de ter cuidado com o que como (20 anos em dieta...) e de reparar se as calças não jogam com as botas... Impensável há 20 anos.
Ele deveria ter (deve ter), 1 ou 2 anos, a menos que eu. Era louro, louro, olhos azuis e cara de anjo. Daqueles, seres fantásticos que a Natureza faz de vez em quando. Quase que tinha vergonha da beleza e do espanto, que provocava e era essa modéstia, que me fascinava nele... e de algum modo, me fazia provocá-lo...
De cada vez, que nos cruzávamos, fixava os meus olhos nos dele e "galáva" - era assim que nós diziamos - o rapazinho de alto abaixo, que corava por todo o lado e se sentia péssimamente (pelo menos, assim parecia)... Um dia no bar do liceu, chegou por trás e não me viu. Tive então a oportunidade e o espanto, de o ver a 30 cm de distância. Que rosto lindo, sorriso franco, simpático ... Existem obras da Natureza, que são mesmo, para ser observadas, tipo galeria de arte.
Passaram-me alguns anos.
Quando o revi algures numa discoteca há 10 anos talvez, era uma sombra. O olhar tinha perdido o brilho. Continuava um homem bonito, mas desinteressante, de olho triste.
Cruzamo-nos de vez em quando e de cada vez que o vejo, de algum modo, acho que me vejo a mim... Será que também me vêm triste? Nunca nos falámos. Olhamo-nos sempre, sem nos falarmos. Não sei sequer se me contextualiza, do tipo "Conheço esta, não sei de onde..." Não tenho curiosidade, mas quando o vejo hoje, de vez em quando, sinto que posso ter sido injusta...
Falta-lhe o sorriso.
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