segunda-feira, maio 09, 2005

Odores

Adoro o cheiro do verão. Do verde, do campo. Do iodo do mar. Dos cheiros, no geral. O dele em particular.
Adoro, enfiar o meu nariz no seu pescoço e estar ali a snifar-lhe, o paladar pelo nariz. Memorizar os beijos, pelo cheiro, que só aquele alguém tem.

Mas, não é do Meu Amor, que quero falar, hoje.

O tempo quente, recebeu-nos naquela casa, cheia de cheiros outros, que se sentiam e imaginavam, numa cozinha com lava-loiça de pedra. Portas e mais portas, passagens e mais passagens de memórias de carinho.

O cheiro a tempo quente e seco, invadia os dias e as noites e deixava-nos fazer parte de um lugar, carregado de memórias.

É bom quando se sentem familia, os Amigos nossos. Aqueles que sabemos e fazemos nossa familia, mesmo sabendo que sempre foram, mas não são.

Adoro ouvir as histórias, das casas, onde estou. Por vezes sinto-me tonta, ao ouvir-te e ir tentando visualizar, esse abraço do avô aos filhos. As gargalhadas dos meninos, no tanque feito piscina, onde os nossos filhos se esbodegaram todos nos restos de água, que fizeram piscina. Talvez também eles quizessem, viver as memórias tuas... das sestas que não se dormiam, na vossa alegria... E na alegria, que se mantém hoje, nos sorrisos que te dão

No momento, logo ali... há gritos e ralhetes, hoje... Passou tão pouco tempo, mas já me sinto sorrir à memória.

Todos, à volta da mesa, a dar vida a outras memórias, tuas. Que foram nossas, mesmo que brevemente. Amei o cheiro a chouriço assado, que reconheci na sala... As fotografias espalhadas pela casa. Os bilhetes escritos, tipo recado, geral, para permitir o correcto funcionamento de uma casa cheia de gente, mesmo que não more lá ninguém...

O grelhador, logo ali... a deixar antever os petiscos cheios de gargalhadas.

O Amor, minha querida Amiga. Acima de tudo, tanto Amor, aquele que partilhas connosco, ao partilhares um espaço tão especialmente intimo.

Trouxe na memória os cheiros.

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