Diferentes Tu
Imaginava-te mais alto. Mas posso dizer que me encantou o teu sorriso, tipo aquele, que tenho agora…
Lembro-me de te achar louco, passado… Amei a ideia. Precisava mesmo de alguma diferença.
Desviavas o olhar de cada vez que me “apanhavas” a mirar-te descaradamente. Acho que algumas vezes coravas mesmo.
Adivinhava na tua voz, o desejo, o querer, a total paixão.
Depois ficavas assim, perdido… e eu de lágrimas corridas e sorriso aberto, impossível de segurar, olhava-te feliz. Como te Amava.
Nunca entendeste porque não me aproximei, se te Amava. E ainda hoje eu não sei explicar. Além do medo, do receio, assustava-me a ideia, de me contagiar com a tua tristeza.
Não sabia, que se podia desejar, tanto. Como eu te queria. E lá os pormenores tinham importância…. Nada! O que importava era que eu te queria. Dizias-me tu; és louca, tu és louca…. Não sou nada. Estou, mas não sou.
Tive que ser eu, a dar o primeiro passo… e quem se passou foste tu… e eu gostei e quiz mais…e depois sentar-me à tua frente 10 anos depois, era impossível, não sorrir, não gargalhar por dentro. Apetecia-me parar o tempo e entrar dentro da tua cabeça… percorrer as memórias do como foi Bom. Foste óptimo comigo.
O teu cheiro. O cheiro, a memória dos cheiros, transformada em sentidos, como se cada um desenhasse o seu próprio caminho. O seu próprio labirinto de odores, transformados em desejos e expulsões, não queridas, mas ainda impossíveis de conter.
Nunca estiveste com ninguém por uma noite? Dizias tu. Não te respondi… Não tinha gostado. Tinha querido mesmo era telefonar a outra pessoa, para conseguir dormir.
E lá ficámos os dois. Nus. Mortos de desejo. E lá nos vestimos e fomos à Farmácia, dentro da consciência, que só tu tens, manténs, vives. Demasiado consciente talvez.
Não imaginavas sequer que o atrevimento, poderia ser virgem. Impossível de acreditar, que o desejo se sente, ou não se sente, não se obriga, não se impulsiona e conseguiste-ainda consegues- surpreender-me.
Amava-te tanto, tanto. Amei-te, com paixão, com desejo, com bem querer, com gostar, com admirar, com respeitar, com querer partilhar, ter, ser.
É fácil escrever o guião de um filme, quando se escreve apenas o título. Amo-te, contem muito mais do que escrevê-lo, no meu espelho, estragando o meu baton.
É claro que me incomoda, quando fazes de conta que não me vês, que não me conheces. Porra homem, passaram 23 anos e tu continuas a reagir do mesmo modo. E eu entendo? Claro, que não entendo, mas dói-me caraças, ainda me dói. Não tinha que me doer, pois não? Pois não, mas dói-me. E é mais ou menos em cima dessa dor, que me as outras cabem.
Sabes, que o mataram? Não sei os contoros da história. Sei que o mataram, com uma faca na barriga. Não sei porquê! Mas, eu recordo os seus olhos, hoje. Sempre. O sorriso o oposto de ti. O Olá! O fascinio pelo não entendido. Ainda gosto dele, mas já não invado as carteiras da escola com esse assunto. Agora é aqui… Net.
Tudo junto, sem ordem e misturado ficava perfeito. É perfeito.