quinta-feira, janeiro 13, 2005

Valores

Coincidência, ou não… não, porque eu não acredito nelas. Este era o tema, da reunião de ontem.

Num grupo de mães, pais, um avô, uma directora e dois psicólogos, uma mulher introduziu o tema.

Fê-lo de modo exemplar; Escreveu um conto. Apesar de impulsiva, nas emoções, sou lenta nos raciocínios e interpretações.

O primeiro acto – foi assim que ela lhe chamou – foi inteiramente dedicado, à procura do presente, que colocaria na mesa. Não sabia o que escolher e vários foram os entraves que encontrou para descobrir, o que faria sentido oferecer. Escolheu uma faca. Pequena, bem desenhada, bem concebida, de cabo macio e lâmina bem afiada. Uma faca, significaria corte, separação e dor.

O grupo encontrou-se no dia combinado e cada um, colocou em cima da mesa, o que queria oferecer ao mesmo. Homens e mulheres alternadamente, ofereceram, um pedaço de barro informe, que significaria a nossa própria massa, pronta a moldar e com a qual podemos fazer o que quisermos, desde que tenhamos arte, alguma sabedoria, intuição, para o fazer.
Não posso precisar a ordem, com que ela os descreveu e espero, estar a transmitir a importância que ela deu a cada um. E claro, partilho aqui, os que fixei, por me parecerem os mais importantes.
Uma caixa colorida e vazia, para significar o vazio, que todos encontramos em determinadas alturas da nossa vida e onde poderemos colocar o que quisermos, medos, dores, receios, experiências.
Oito velas de cores e tamanhos diferentes, que iluminariam em determinado momento a nossa vida e que depois da cera derretida, poder-se-iam fundir e deixar uma massa de diferentes cores, menos definidas, mas talvez mais interessantes, com oito pavios e que significariam as importâncias que nos guiam e que se esgotam, mas que deixam sempre resultado(s)…

Estes são os presentes (alguns) que poderemos dar aos nossos filhos. Ou todos, ou só um. Esperamos que os outros presentes que eles recebem de outros lados, possam ser utilizados em conjunto e que deste conjunto, resultem adultos equilibrados, com uma boa dose de bom senso.

A conversa desenrolou-se então sobre o significado e a importância, dos valores que queremos apresentar aos nossos filhos. E como. A dificuldade de ser coerente. O modelo de perfeição que lhes queremos dar, mas não somos. A nossa própria experiência como filhos e como a olhamos hoje, na qualidade de pais, sem nunca deixarmos de sermos e termos sido filhos. A nossa própria fragilidade. A segurança, que é suposto eles sentirem em nós. A gestão que fazemos dos valores gerais da sociedade, da nossa cultura e dos elementos, que nos são mais dificeis de controlar.

Não chegámos a conclusões. Nunca chegamos, mas o propósito, nunca é concluir, mas pensar, questionando-nos, sobre afinal, o que é realmente importante para nós próprios e em consequência, aquilo que queremos que seja, ou gostaríamos que o fosse, para os nosso filhos….

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