quarta-feira, janeiro 26, 2005

Sentidos

Afinal, pensar não é um sentido…

Esculpi-me, naquele pedaço de barro.
De olhos fechados. Tentei descobrir um lugar, em que o cheiro, não me dirigisse as mãos. Que os sons de tão inexistentes, me fizessem presente, em formas de dimensões sentidas ao toque, sem visão, sem som, mas com cheiro temperado por mim.
À medida, que os sons invadiram os espaços, logo as formas se alteraram, logo o meu coração bateu, à medida de um cheiro, da imaginação de um sabor, de um toque.

Imprimi, o meu rosto em papel reciclado, daquele em que se pesava o fermento, na padaria, quando o avô, amassava e benzia a massa, que demorava seu tempo a levedar. A sala estava escura, de modo a que não visse nada e apenas me tocasse, me sentisse, me adivinhasse… Senti-me de rosto leve e gostei de mim.

Tentei então, sentir a superfície espelhada, mas não me vi. O espelho, reflete-me, não me sente, não me toca. Não gosta de mim.