terça-feira, janeiro 11, 2005

Pai

Felizmente a minha geração, já não se coibe de dizer; Amo-te. Ou Amo-o.
Preciso-te. Ou preciso-o.
Gosto de ti. Ou gosto tanto de si.
Não te percebo. Ou não o entendo.
Eu sou assim. Ou eu sou assim.
Ainda assim, eu gosto de ti. Ou gosto sempre muito de si.

E de repente de um minuto para o outro, aqui estou, sem o meu sorriso da manhã...

Talvez seja por isso que os "meus" homens, competem consigo.

São muitas as pessoas que Amo. Amo, muito, com muita força, com um Amor imenso, do tamanho pequeno do meu coração, normal.
Sim é verdade, tenho pavor de perder quem Amo. De deixar ir quem Amo. Trepo furiosamente, esta cena da independência, do imaginar, não querendo, que um dia, fico dependente, fisicamente.
Dependência... assusta-me a dependência de outros, ou dos outros de mim. Fisica ou emocionalmente. Talvez por isso as drogas, nunca me atrairam. Talvez por isso, tenha apenas perdido a consciência uma vez, porque me faz confusão, tirar os pés do chão.
Depois a vida não quer saber, do que eu quero, do que me assusta, ou do que me dói.
E vai-me dizendo; "Toma lá isto, que é para teu bem!", ou "Um dia vais dar valor!" E eu, que ainda hoje me passo, com estas frases pesadas, chatas, horriveis de serem ditas, ouvidas e pior ainda vividas... estou a escrevê-las...

Nunca vi em si o herói... mas admiro-o muito. Por aquilo, que o pai É, muito mais do que aquilo, que pensa Ser. Enfim; Amo-o, porque sim e este Amor incondicional e por vezes tão dificil de gerir, interfere no modo como vejo outros.

Talvez porque o Amo, como Pai e o respeito como ser Humano. E sinto o mesmo, de si. Mais do que a mãe que continua a insistir que eu devo ser, como ela me imaginou...

Enfim, apesar dos arrufos e dos não arrufos. Continuamos, juntos. Cumplices, próximos. à procura do nosso caminho comum, que nunca será, mas que não deixa de o ser... E é tão junto, mas tão junto, que deixa pouco espaço... a outras admirações... Como se o nosso por ser mais longo, fosse mais importante.

Não há ninguém que eu mais precise nesta vida, que vivo hoje, do que de si e da mãe. O meu filho precisa de mim. E, eu de vocês. E é esta dependência... que eu não posso ter... mas, tenho! E é este caminho longo, forte, dificil, caramba, que por vezes é mesmo dificil, que o torna, inabalável... e me deixa pouca disponibilidade, para outros caminhos a dois... que também sejam dificeis...

Não é culpa, sua... É escolha minha...

Não é a morte que me assusta. É a dor.
Não é a ausência que me assuta. É o espaço, que ela deixa. Que tem de obrigatóriamente ser, preenchido, transformado, disfarçado. O tabuleiro da ponte de nada serve sem acessos. Nem que sejam de pau.

Peço a Deus e aos anjinhos todos, que não nos deixem sofrer... fisicamente... as dores da alma...