domingo, março 20, 2005

Querido Pai,

Hoje (que já é ontem), foi o Dia do Pai. Aquele dia em que devemos em especial, pensar no nosso pai. Não sei se devemos pensar no nosso, ou naqueles que não o têm, ou não o conhecem, ou por tanto o querem ter de um modo, acabaram por o perder de outro.

Partilho este dia, com o meu irmão. Os dois juntos, seus filhos. Não "definiram" ainda o dia dos irmãos, pode ser hoje. Ou o dia da familia, afinal também esse dia, pode ser este.

Um pai, tem um filho, ou mais no seu caso e desse conjunto, resulta uma familia, que só faz sentido, incluindo todos os membros e que o inclui a si e à mãe, claro... Afinal, ninguém é pai sem uma mãe, ou mãe sem um pai... ou sim! Existem tantos pais que o são sozinhos e tantas mães sozinhas também. Eu, por exemplo. Quero dizer, mais ou menos... O Filho é meu e do Pai dele... não sei se algum dia fomos familia... Mas, para ele seremos sempre nós dois a familia...

Continuando a falar do meu pai...

O pai e a mãe têm papeis que não se deveriam distinguir, mas que sempre se distinguem, pelos papeis do homem e da mulher. Em si, vejo aquele homem, com quem conto sempre, que admiro, que Amo. Que Amo muito, tanto. Que preciso, que me dói, já hoje que a natureza siga a sua ordem...

Olho-o por vezes á distância, enquanto se equilibra em cima de um escadote, a podar a videira do pátio da casa, que um dia foi do seu pai. Comovo-me ao vê-lo, entrar de sorriso rasgado e olhar directo, com uma caixa de cartão forrada com folhas de figueira e com os figos arrumadinhos, porque eu gosto de figos... e que não vou lá apanhá-los por preguiça...

Delicio-me a vê-lo rebolar pelo chão com o Besnico e fico sem palavras, quando o vejo brilhar com o entusiasmo e o charme, que só o pai tem, quando se trata de trabalho.

Pergunto-me imensas vezes, o que faço sem si. Mas, afinal... como alguém dizia... Não sei como é que vivi tantos anos sem o Besnico.

Muitos Beijos Meu Pai. E Obrigada pela familia, só possível consigo e com a Mãe.

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