Rota de colisão
Recordo quando era míuda e andava pelas Ruas da baixa, com a minha mãe. Nunca gostei de compras, de montras, de experimenta daqui ou dali... ou "vamos dar mais uma volta... e já voltamos". Umas vezes, voltavamos, outras nem por isso...
Arrepiava-me a ideia de ter de comprar o que quer que fosse... Ou ter de caminhar mais de 2 quarteirões... parava em tudo o que era montra. Não que ela seja vaidosa ou consumista... eu sou bem mais do que ela... Mas, a montra era-lhe apelativa... Enquanto eu, ainda hoje... não gosto de compras nem montras. Entro, escolho, visto e já está... ou se não gosto, sigo à próxima... no máximo 2 ou 3, se não há... Tchau, penso nisso noutro dia...
Confesso que me dá um certo gozo, caminhar entre as multidões (assim tipo 3 ou 4 vezes no ano) e desviar-me das pessoas ou ultrapassá-las, rapidamente e sem lhes tocar, como se fosse uma dança. Parece que vou a fugir, ou atrás de algo ou alguém que me fugiu. Mas, esquivo-me bem...
Mais ou menos como no trânsito. Andamos todos, ali lado a lado, em velocidades diferentes numa suposta mesma direcção, que mudamos, ou invertemos. Uma vezes, paramos. Outras nem por isso, reduzimos ou talvez não... Outras batemos, acidentamo-nos, magoamo-nos.
Parece que andamos sempre em rota de colisão com tudo. Como se a todo o momento, desfiassemos a lei da fisica. Quer seja, na Rua ou no trãnsito, por vezes até em casa, na Escola, no local de trabalho... Seguimos todos em direcções que não sabemos se partilhamos e de vez em quando BUM, chocamos. Uma vezes, quando é só o susto, até nos rimos. Outras, quando nos magoamos, choramos...
Andamos sempre a desviarmo-nos dos outros e a maioria das vezes, em olhamos para eles.
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